domingo, 12 de dezembro de 2010

Mulher ao espelho

                                          (Cecília Meireles)

Hoje, que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelo seus pecados,
falará Deus.

Falará, coberta e luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

2 comentários:

  1. Acho essa poesia muito bonita, embora ela sempre me traga um mundarel de tristezas pra dentro dos olhos. Considero-a intensa e triste... Me dói um pouco.

    Beijos... Saudades

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  2. Como a Tati disse: muito bonita, mas cheia de tristeza.

    Bjs =)

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