sexta-feira, 9 de julho de 2010

Atrás da Grande Muralha

Atrás da grande muralha um abismo sangra
Uma avalanche desaba no meu coração
Minha alma conhece a solidão do abandono
E assim canta

Atrás do grande muro além dos Andes
O abismo cresce o vazio avança
A solidão faminta devora o coração de um homem
Sem piedade, sem dor
Sem perdão


Além dos Andes
Uma história de amor naufraga
Assim como outras historias ela é assassinada
Pelos próprios amantes num espasmo de desamor
Quando o desespero toma conta da paixão


Longe dos Andes
Um incêncio veste de purpura as neves eternas
O fogo avança as cinzas dançam
Os sonhos de amor alimentam a fornalha
Orgulho ferido coração quebrado razão esquecida
Inferno que invade todos os momentos desta miséra existência


Longe de ti
No exilio da alma
Muito além do grande muro
Longe dos Andes
Onde tua silhueta é um sonho
E minha dor é mansa
A saudade ataca
E canta
Sem piedade dissemos adeus
Sem compaixão nos condemos
Sem perdão matamos nosso amor
Naufragos
da nossa solidão
Patéticos fatais
Mortais


Perdidos
Irremediavelmente perdidos
Como estrelas tragadas num buraco negro
Como bolhas de sabão estourados no ar
Como miragens que jamais serão verdadeiras
Como sonhos que fogem ao raiar do dia
Como esperanças que murcham inocentimente
Quando a realidade se faz presente

Caí
Profundo longe, obscuro
Ao abismo da noite
Ao luto infinito
A viver o mais recôndito da angustia
No fundo do nada
No profundo de um sol negro
No centro da solidão
Afogando a cabeça nas mãos
Olhando fixamente o espaço infinitamente vazio
Que a tua partida deixou



Então
Demônios me perseguem a toda hora
Fantasmas invadem meus aposentos
Quando algum homem deita-se junto de mim
Em vão exorcizo tua presença
Em vão relembro que morri faz tempo
Que deixei de existir a muitos momentos
Que somente sou um espectro que vago pelo mundo
Levando dia a dia
O fardo de ter-te conhecido
E ter-te perdido e ter-me perdido


Estou aqui
Onde tua imaginação não consegue ma alcançar
Onde não poderás ver minhas feridas a sangrar
Onde nunca poderás saber se voltado a sorrir
Apesar de você


Ainda que tenha lágrimas no meus olhos
Quando teus olhos tropecem com estas linhas
Nunca poderás saber se alguém consegue acalmar minha dor
E eu nunca saberei
Se nos teus olhos existem lágrimas também


Estou aqui onde o destino jogou-me impiedoso
Afásica da lingua na qual falavamos de amor
Na qual juramos eterno amor
A mesma lingua na qual traímos nosso amor

Atrás do grande muro
Além dos Andes ensagüentados
Longes da inocência estrupada
No exílio da alma
Existo
E não consigo te esquecer

2 comentários:

  1. Já li esse inúmeras vezes, e não consigo deixar de sentir o som das palavras adentrando a cada instante mais fundo dentro de mim.

    Muito bem escrito. Bastante subjetivo. Intenso e envolvente... E alguns detalhes a mente divaga nas linhas.

    Gostei muito.

    Beijo

    ResponderExcluir
  2. Perdi até as palavras pra comentar e seria impossível tirar um trecho que gostei mais... está td ótimo...

    Bjs =)

    ResponderExcluir